Free On-line Access

SPCI - Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos

Revista Brasileira de Terapia Intensiva

AMIB - Associação de Medicina Intensiva Brasileira

OFFICIAL JOURNAL OF THE ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MEDICINA INTENSIVA AND THE SOCIEDADE PORTUGUESA DE CUIDADOS INTENSIVOS

ISSN: 0103-507X
Online ISSN: 1982-4335

Ícone Fechar

How to Cite


 

Moritz RD. Suspensão diária da sedação: uma panacéia?. Rev Bras Ter Intensiva. 2008;20(1):5

 

 

2008;20(1):5-5
Comment

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-507X2008000100001

Daily interruption of sedatives: a panacea?

Suspensão diária da sedação: uma panacéia?

Rachel Duarte Moritz

Coordenadora da Residência de Medicina Intensiva do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina; Mestre em Ciências Médicas; Doutora em Engenharia de Produção

Corresponding author:

Rua João Paulo 1929 - Bairro João Paulo
88030-300 Florianópolis, SC
E-mail - [email protected]

 

 

É indiscutível que tanto a sedação excessiva quanto a agitação dos pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI) são fatores indesejáveis. Também não existe dúvida de que a supersedação pode resultar em maior tempo de ventilação mecânica (VM) e de internação nas UTI, fatos que podem interferir negativamente na evolução dos pacientes críticos.

Após o estudo de Kress e col.1, tem tido aceitação crescente a importância da suspensão diária da sedação para a avaliação da possibilidade do desmame da VM. Girard e col2. avaliaram 336 pacientes submetidos à VM. Os autores arrolaram os pacientes intubados havia 12 horas, com pressão positiva de 8 cmH2O, fração inspirada de oxigênio de 0,5, saturação de oxigênio maior que 88% e necessitando de doses moderadas de vasopressores. Os pacientes foram separados em 2 grupos: controle (GC) e estudo (GE). Os pacientes do GC permaneciam sendo medicados com sedativos e, se estivessem ventilando espontaneamente, eram submetidos ao desmame em tubo-T ou pressão de suporte < 7 cmH2O ou pressão controlada < 5 cmH2O Os pacientes eram avaliados por 120 minutos. Daqueles selecionados para o GE foram retirados os fármacos sedativos e após 4 horas, se os pacientes acordassem ao estímulo oral e apresentassem drive respiratório era iniciado o desmame de forma semelhante ao GC. Os autores concluíram que os pacientes aos quais foi suspensa a sedação, embora tenham apresentado maior incidência de auto-extubação, permaneceram menos tempo sem VM, menos tempo internados na UTI e no hospital e, após um ano, esses pacientes apresentaram menor probabilidade de morte.

Brochard3 comenta o referido artigo, aponta algumas falhas e conclui que são necessárias novas informações que comprovem a eficácia da suspensão diária de sedativos. O autor afirma que o uso indiscriminado dessa técnica pode ser danoso para os pacientes que necessitam de sedação.

Diante do exposto, considero importante tecer alguns comentários. Acredito que o grande benefício dos estudos que defendem a suspensão diária da sedação é o de que, nos permitem a constatação de que atualmente existe a tendência dos intensivistas sedarem demais os seus pacientes e, conseqüentemente retardarem o seu desmame.

Essa constatação me permite a defesa de que, mais importante do que a suspensão indiscriminada e diária da sedação, é o médico intensivista ao lado do paciente. Sem sombra de dúvida a elaboração de protocolos é importante para direcionar uma terapêutica. Entretanto, jamais poderá substituir o médico ao lado do paciente, avaliando-o de forma ampla e questionando diariamente: Esse paciente pode ser desmamado da VM? Está adequadamente analgesiado? Necessita ser sedado? Qual será a sedoanalgesia ideal para ele? Como está o seu quadro clínico. Como iremos otimizar o seu tratamento?

Como nós intensivistas sabemos, o quadro clínico do paciente crítico é bastante complexo de ser definido. Como um corolário, as opções terapêuticas devem ser tomadas após raciocínio clínico adequado e não somente baseadas em rotinas anexadas no pé da cama dos pacientes.

Concluo esse comentário, fazendo minhas as palavras de Fletcher4 "On the other hand, evidence-based Medicine is meant to complement, not replace, clinical judgment failure".

 

REFERÊNCIAS

01. Kress JP, Pohlman AS, O'Connor MF, et al. Daily interruption of sedative infusions in critically ill patients undergoing mechanical ventilation. N Engl J Med, 2000;342:1471-1477.

02. Girard TD, Kress JP, Fuchs BD, et al. Efficacy and safety of a paired sedation and ventilator weaning protocol for mechanically ventilated patients in intensive care (Awakening and Breathing controlled trial): a randomized controlled trial. Lancet, 2008;371:126-134.

03. Brochard L. Sedation in the intensive-care unit: good and bad? Lancet, 2008;371:95-97.

04. Fletcher RH. Up-To-Date; this topic was last changed on August 23, 2007 (acessado em janeiro de 2008).

 

 

Submission On-line

Indexed in

Scopus

SciELO

LILACS

Associação de Medicina Intensiva Brasileira - AMIB

Rua Arminda nº 93 - 7º andar - Vila Olímpia - São Paulo, SP, Brasil - Tel./Fax: (55 11) 5089-2642 | e-mail: [email protected]

Cookie Policy

GN1 - Systems and Publications